24 e 25 de Dezembro

carrossel dos esquisitos

Ana Ademar

 

11h00 – Acordei. Dormi só 4 horas, mas quero ir para o natal cedo. Tenho muito sono. Café. Fazer mala. Deixar comida e água para a Maria.

11h30 – Enquanto bebia café lembrei-me que não sei da chave do carro. E também não sei do cartão multibanco, mas sem a chave do carro não consigo sair daqui. Ainda não arrumei tudo, mas é melhor encontrar a chave do carro primeiro.

12h30 – Não encontro a chave. Procuro, sem sucesso, a chave suplente. Restam-me duas hipóteses: vou de autocarro ou alguém vem buscar-me. Mas depois como é que volto? Se calhar deixei-a cair a caminho de casa.

12h45 – Encontrei a chave. Estava na ignição. Deixei o carro destrancado e com a chave na ignição desde ontem às 18h00. Arrumar a cozinha, despejar o lixo, tomar banho, acabar a mala, comida e água para a Maria.

13h15 – Arrumei tudo. Tenho de ir apanhar o lixo do carro. Tomar banho.

13h25 – Não devia ter cortado o cabelo tão curto. Agora não assenta.

14h00 – Gasóleo, encher os pneus. Comer qualquer coisa. Estou esgalgada com fome.

14h10 – O multibanco. Continuo sem encontrar o multibanco. Não estava no carro.

16h20 – Está frio no carro, mas tenho sono, se ligo o aquecimento adormeço. Vou com frio.

17h00 – Chego ao destino. Cheira a comida e há uma travessa de rabanadas. Ataquei uma. Desde ontem que me apetecia. Comi um sonho de abóbora, estão belíssimos.

17h30 – Cada vez fico mais contente com esta ideia de comer leitão em vez de peru. Quem é que afinal gosta de peru? Descubro que quase ninguém. A aletria está com bom aspecto.

17h45 – Sento-me no sofá. Tenho medo de adormecer. A televisão não dá nada jeito. Tento escrever a mensagem de natal da Oficina Os Infantes.

18h00 – Ainda não consegui escrever a mensagem. Não estou nada inspirada. Não sei se é das três rabanadas e quatro sonhos que já comi, mas sinto-me inchada. Ainda não me deram vinho.

18h15 – Já decidi a música de natal para o post deste ano e em vez do costumeiro Tom Waits, este ano vamos ao Zeca. O multibanco!

18h30 – Cancelei o cartão, mas não pedi um novo. Não conseguia alterar o nome que aparece no cartão e eu não quero meter o nome que eles querem que eu meta. Isso é que era bom.

19h00 – Fiz o post, mesmo a tempo, parece que o jantar está quase pronto e já ouvi uma rolha a saltar. O número de rabanadas mantém-se, mas fiz uma limpeza aos frutos secos. Estranhamente sinto alguma fome.

20h00 – Recebi algumas mensagens de boas festas a que tenho respondido sem grande urgência. Não estou a sentir muito amor ao próximo neste natal. 

21h00 – Enquanto jantamos, o meu pai faz chamadas para outros familiares e temos de aparecer nos écrans de boca cheia. Até me parece um bocadinho desadequado desejarmos boas festas com a boca cheia de leitão mastigado.

22h30 – Já comemos: bacalhau com couves e o leitão. As sobremesas: a aletria está belíssima – não sei se já tinha dito – e aquele pratinho de fruta com os fios de ovos está uma maravilha. O molotov está muito bom, se bem que tem um ar apudinzado. O Convento da Tomina está um mimo. Parece que vamos ter de nos entreter até à meia-noite com a Tomina e uma ou outra das garrafas que ainda estão por abrir.

23h30 – Apesar de me sentir cheia, parece que há sempre espaço para uma noz, um alperce seco, uma mão cheia de miolo de romã… não consigo parar. O Fita Preta bebe-se bem e o Grous não desilude.

É quase meia noite. Continuo a sentir-me entusiasmada com a abertura das prendas.

00h15 – Abrimos as prendas, estamos todos bem contentes. Poucas prendas, mas adequadas e certeiras. Ainda consegui comer mais uns frutos secos e partir um dos copos de vinho.

Não tarda vou dormir…

6h50 – Acordei. Vou tentar dormir mais.

07h15 – Levantei-me e fui para o sofá.

11h00 – Acordei no sofá. Café e rabanadas

12h00 – Redes sociais e rever as prendas. Sim, parecem tão boas quanto ontem, não era do vinho. Sofá.

13h30 – Almoçamos restos e vinho tinto. Tudo óptimo. Sofá.

14h30 – A ver o que aparece na televisão. Enquanto isso, petisco uns frutos secos.

16h00 – Adormeci no sofá durante meia hora. Logo à noite não durmo.

17h00 – Passear os cães com a minha irmã. Já é de noite. Parece que a hora do jantar se aproxima. Ainda há leitão.

18h30 – Sofá, vamos ver um filme. Adormeci a ver o filme, mas consegui perceber a história. Vou comendo aletria até que o meu pai esconde a travessa. Acho que tem medo que eu coma tudo.

21h00 – Caldo verde, para aconchegar. Fomos saltando entre Sozinho em Casa 2 e Música no Coração. Adormeço de quando em quando por 5 minutos.

22h30 – Filmes variados, frutos secos. Uma rabanada aqui e ali. Ainda não despi o pijama.

23h30 – Devia ir para a cama, mas tenho preguiça. Mudo de sofá. E de televisão. Adormeci várias vezes.

01h00 – Acabo por ir para a cama, mas não sem antes comer uma rabanada e um sonho de abóbora.

Sobrevivemos a mais um natal; estivemos bem quentinhos e de mesa bem composta durante 48 horas. Não fora a chave do carro ter dormido na ignição e o cartão multibanco se ter eclipsado para parte incerta, coisas que parecem ter a minha cara todos os dias do ano, poderia ter sido um natal perfeitamente banal, comum a quase todos os mortais.

Para o ano há mais – espero!

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