Passamos pelas coisas sem as ver, gastos, como animais envelhecidos: se alguém chama por nós não respondemos, se alguém nos pede amor não estremecemos, como frutos de sombra sem sabor, vamos caindo ao chão, apodrecidos.

carrossel dos esquisitos Ana Ademar Passamos pelas coisas sem as ver,gastos, como animais envelhecidos:se alguém chama por nós não respondemos,se alguém nos pede amor não estremecemos,como frutos de sombra sem sabor,vamos caindo ao chão, apodrecidos. “Rotina” de Eugénio de Andrade São cinco da manhã e estou acordada há duas horas e meia. O início do … Continuar a ler Passamos pelas coisas sem as ver, gastos, como animais envelhecidos: se alguém chama por nós não respondemos, se alguém nos pede amor não estremecemos, como frutos de sombra sem sabor, vamos caindo ao chão, apodrecidos.

“(…) toda a gente tinha os seus períodos de neurastenia, nos quais preferia mostrar-se antipática para deixar patente o seu desagrado relativamente ao mundo. Havia de lhe passar.”

carrossel dos esquisitos Ana Ademar “(...) toda a gente tinha os seus períodos de neurastenia, nos quais preferia mostrar-se antipática para deixar patente o seu desagrado relativamente ao mundo. Havia de lhe passar.” Mario Vargas Llosa in “Travessuras da Menina Má” Sento-me muito pouco inspirada para escrever a crónica. Estou numa fase pouco engraçada da … Continuar a ler “(…) toda a gente tinha os seus períodos de neurastenia, nos quais preferia mostrar-se antipática para deixar patente o seu desagrado relativamente ao mundo. Havia de lhe passar.”

“AS OPINIÕES SÃO COMO AS VAGINAS: CADA UM TEM A SUA E QUEM QUER DÁ-LA, DÁ-LA.”

carrossel dos esquisitos Ana Ademar Apercebo-me que a silly season foi abolida. Se bem se lembram, a silly season acontecia no Verão: perante o encerramento de vários serviços, incluindo do Estado, a ausência de notícias provocava uma torrente de não-notícias a encher as capas de jornais e os posts das redes sociais e dávamos por … Continuar a ler “AS OPINIÕES SÃO COMO AS VAGINAS: CADA UM TEM A SUA E QUEM QUER DÁ-LA, DÁ-LA.”

“Quem me dera ouvir de alguém a voz humana | Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia”*

carrossel dos esquisitos Ana Ademar É muito raro conseguir concordar na totalidade com qualquer ideia, mesmo que seja minha. Se organizo uma opinião, logo de seguida invento três ou quatro “mas” que, se não a invalidam, pelo menos colocam-na em causa. Depois fico confusa e abandono o pensamento. Não me impede de ir aventando opiniões … Continuar a ler “Quem me dera ouvir de alguém a voz humana | Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia”*

Bons dias maria teresa até depois | preciso de tomar o meu pequeno almoço | a cerveja era boa mas é bom comer | como come qualquer homem normal | e me poupa ao perigo de até pela idade | me converter subitamente num sentimental *

carrossel dos esquisitos Ana Ademar Se foi do meu avô que herdei as rugas fundas do riso, da minha avó herdei a capacidade de chorar por tudo e por nada. Porque estou triste, porque estou feliz, porque me comovo com alguma emoção alheia. É uma habilidade que eu tenho, quase um super-poder. E se me … Continuar a ler Bons dias maria teresa até depois | preciso de tomar o meu pequeno almoço | a cerveja era boa mas é bom comer | como come qualquer homem normal | e me poupa ao perigo de até pela idade | me converter subitamente num sentimental *

A Problemática da Inexistência de Unidades de Medida para o que Verdadeiramente Importa

carrossel dos esquisitos Ana Ademar Descobri que a bola e o futebol não são a mesma coisa. De forma muito sucinta, o futebol é o que vemos no telejornal: milhões, ordenados pornográficos, fraudes, falcatruas e pouco mais e não me interessa. A bola é a pureza da coisa. A beleza do conjunto, a capacidade de … Continuar a ler A Problemática da Inexistência de Unidades de Medida para o que Verdadeiramente Importa