OUTONANDO-ME

Maria Campaniça Celina Nobre No ciclo eterno No ciclo eterno das mudáveis coisas Novo inverno após novo outono volve À diferente terra Com a mesma maneira. Porém a mim nem me acha diferente Nem diferente deixa-me fechado Na clausura maligna Da índole indecisa. Presa da pálida fatalidade De não mudar-me, me infiel renovo Aos propósitos … Continuar a ler OUTONANDO-ME

As máquinas

Maria Campaniça Celina Nobre Antes, existia na minha terra o Largo dos Correios. Era o largo das coisas de toda a gente: da Igreja, do Café, da mercearia do sr. Goncalves, do Táxi e do padeiro. Havia no meio do largo um molho de laranjeiras amargas deixadas pelos árabes e bancos de jardim à volta. … Continuar a ler As máquinas

Baloiço de corda

Maria Campaniça Celina Nobre Houve uma época em que nasciam baloiços de corda, nas azinheiras, onde as crianças se divertiam, empurradas pelos sonhos. A escola era cheia de crucifixos e de fotos sépia, emolduras em madeira, imbuídas de tempo, que iam sendo, lentamente, roídas pelos bichos. Nessa altura, as meninas usavam laços brancos no cabelo. … Continuar a ler Baloiço de corda